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De Jack Hoch; Revisado por Dr. Issam Awad
Introdução
Embora as malformações
cavernosas cerebrais (MCCs) tenham sido diagnosticadas e pesquisadas
por anos, o mecanismo pelo qual estas lesões sangram ainda
permanece pouco conhecido. Existem várias teorias para explicar o
sangramento proveniente de MCCs, porém não há nenhum
inequivocamente provado. Mesmo assim, os diversos tipos de
hemorragia merecem ser discutidos.
Em sendo as MCCs lesões de
baixa pressão (baixo fluxo), não um mecanismo claramente
compreendido que explique os eventos hemorrágicos. Os sangramentos
podem ser divididos em três grupos:
1) “Vazamento lento”: O sangue
lentamente poreja das paredes do cavernoma para dentro da malformação
em si. Como as paredes internas do cavernoma são frágeis, não há
muita dificuldade para o sangue em passar por elas. Normalmente não
há nestes casos sintomatologia muito importante, porém com o
passar do tempo o tamanho e o formato das lesões podem alterar-se.
Praticamente todas as MCCs sofrem esse tipo de gotejamento.
2) Trombose: Devido ao caráter estático
do sangue nos cavernomas, um trombo (coágulo) pode desenvolver-se e
alterar a direção do fluxo sanguíneo dentro da lesão assim como
crescimento da lesão. Como dito acima (1), muitas vezes não há
significância clínica, a não ser que o tamanho da lesão seja
suficiente para causar efeito de massa.
3) Hemorragia importante: O sangue
escapa das paredes da lesão levando ao depósito de subprodutos no
tecido cerebral normal nos arredores da lesão. Este é o tipo de
hemorragia que está relacionado mais comumente com sintomas clínicos.
Felizmente este tipo de hemorragia é menos comum que os outros dois
primeiros. Os sintomas dependem primordialmente da exata localização
da hemorragia no cérebro.
Significância Clínica da Hemorragia e seus Potenciais Implicações
Cirúrgicas.
Para os pacientes que
experimentam um episódio de hemorragia, o início súbito dos
sintomas pode causar confusão e medo. Os pacientes solicitam
respostas que ainda não existem em relação à evolução natural
da MCC.
Receber o diagnóstico de
MCC ou apresentar seus sintomas não é uma sentença de morte. A
maioria das lesões não sangra e as que o fazem não são como
bombas explodindo. Elas gotejam lentamente, porém este gotejamento
pode ser suficiente para causar sintomas devido ao espaço apertado
dentro do crânio. Simplesmente não espaço para comportar material
excedente como, por exemplo, sangue proveniente destas hemorragias.
O resultado é a compressão ou lesão de neurônios frágeis
disparando os sintomas.
A importância da hemorragia
depende da sua localização no cérebro. Por exemplo, o maior
problema enfrentado por pacientes com lesões no lobo temporal são
as crises convulsivas. Hemossiderina, um tipo de subproduto do
sangue que pode depositar-se no tecido cerebral adjacente depois de
uma hemorragia, é reconhecidamente um fator irritativo cerebral.
Sua presença é o suficiente para causar crises quando encontrada
nesta região.
Aqueles que possuem lesões
no tronco encefálico apresentam sintomas diversos (déficits neurológicos
focais) como visão dupla, náuseas, desequilíbrio, problemas para
deglutir, para respirar entre outros.
Cirurgia tem sido indicada
para pacientes com história de mais de uma hemorragia associada com
piora de sintomas. Lesões como estas são consideradas agressivas e
precisam ser removidas, assumindo que a lesão é acessível
cirurgicamente. Em geral a recuperação da hemorragia é completa,
porém não em todos os casos. Em muitas situações os melhores
resultados cirúrgicos fazem com que os pacientes voltem a seu
estado clínico anterior ao último sangramento. È muito difícil
que a cirurgia corrija problemas pré-existentes relacionados com
sangramentos antigos. Dependendo da localização e complexidade da
lesão a cirurgia pode acrescentar outros déficits neurológicos
permanentes ou temporários. Todavia cada nova hemorragia pode
cursar com novos sintomas que podem não se resolver sozinhos.
Quando indicada cirurgia, as
condições clínicas pré-operatórias são muito importantes.
Quanto melhor é a condição física do paciente antes da cirurgia,
melhores são as suas chances de remoção completa da lesão e
recuperação satisfatória. Os neurocirurgiões recomendam o
agendamento da cirurgia em momentos distantes do último episódio
de sangramento, se possível. Isso visa dar tempo para que ocorra
reabsorção do excesso de sangue, mostrando claramente os limites
da lesão e do tecido normal. Porém, estando indicada a cirurgia
também não pode ser prorrogada para muito depois de um sangramento
para que a lesão não possa retrair-se demais, dificultando sua
remoção.
Hemorragia e Gravidez
Ainda não foi determinado
se existe um maior risco de sangramento de MCCs durante a gravidez.
Alguns pesquisadores acreditam que o aumento do estrogênio durante
a gravidez pode causar alterações nas paredes das MCCs que, de
alguma maneira, aumentam os riscos de sangramento. No entanto, não
há evidência estatística proveniente de estudos com grande número
de pacientes de que hemorragias provenientes de MCCs ocorrem mais
freqüentemente em gestantes do que em outras pessoas. A grande
maioria das mulheres completa a gestação sem qualquer sangramento
nem necessidade de remoção cirúrgica de um angioma. Todavia, a
gestação é um momento em que ocorrem várias alterações na
fisiologia da gestante do feto e as conseqüências de hemorragia ou
crise convulsiva são mais deletérios que em períodos fora da
gestação. Qualquer paciente com alterações neurovasculares e/ou
epilepsia deve ser acompanhada de perto por gravidez de alto risco.
O obstetra deve trabalhar em conjunto com o neurologista ou
neurocirurgião que acompanha a evolução neurológica e que sabe
lidar com epilepsia na gravidez.
Medidas preventivas e Outras Considerações
Então, se você receber o diagnóstico de MCC, o que deve e o que não deve
fazer?
O consenso entre os neurocirurgiões mais experientes no assunto aconselha:
1) Manter a pressão arterial o mais baixa possível, dentro dos limites
normais.
2) Evitar medicações que atrapalhem
a coagulação sanguínea, tais como a aspirina, quando possível.
Devemos ser mais enfáticos em casos de pacientes com história de
aumento de volume de lesão recente ou sangramento. De acordo com
dr. Issam Awad, diretor do corpo científico da Angioma Alliance,
anti-agregantes específicos deve ser evitados como aspirina,
Coumadin, assim como antiinflamatórios comuns como Advil,
Diclofenaco, e os novos Celebra e Vioxx entre outros. Enquanto
muitos pacientes tomam esses medicamentos sem problemas, sabemos que
há um risco aumentado de sangramento com o uso destas medicações.
Prós e contras devem ser discutidos pelo médico assistente e o
neuroespecialista que trata da MCC. Ao contrário o Paracetamol é
um analgésico comum que não cursa com aumento da tendência a
sangramento. Este é recomendado para pacientes com MCCs.
3) Fique longe de montanhas-russas ou situações que induzam incremento
aparente de força gravitacional.
4) Não fique estressado. Obviamente,
é muito fácil pedir e difícil realizar. Dr. Awad atenta para o
fato de que o estresse pode causar alterações neurológicas após
acidente vascular cerebral, e pode ser responsável por flutuações
na apresentação dos sintomas. Não há base fisiológica ou
hormonal para isso. Porém aumenta a pressão arterial, o que pode
ser um problema para pacientes hipertensos com aumento dos riscos de
hemorragia.
Pacientes com MCCs podem:
5)Exercitar-se moderadamente,
evitando atividades muito intensas como levantamento de peso em
excesso que pode aumentar agudamente a pressão arterial.
6) Ter parto vaginal, desde que a MCC
seja acompanhada de perto no termo da gestação.
7) Voar em aviões comerciais com cabine pressurizada.
8) Consumir bebidas alcoólicas ou cafeinadas com moderação.
Dr. Awad chama atenção
para a relação entre o uso de pílulas para emagrecimento, certos
estimulantes e descongestionantes nasais que contêm
fenilpropanolamina e hemorragia intracraniana em pacientes jovens,
incluindo possivelmente casos de MCC. Estes itens foram retirados de
circulação pelo FDA, porém é possível que outros estimulantes
possam causar hemorragias.
Ele explica que estes
estimulantes podem aumentar a pressão arterial em pacientes
hipertensos, o que pode contribuir para eventos hemorrágicos.
Estimulantes como cocaína e outras drogas ilícitas podem causar
hemorragias intracranianas mesmo em pacientes sem história prévia
de hipertensão ou malformações vasculares.
Sumário
Questões referentes à história
natural de MCCs, o mecanismo pelo qual causam hemorragia
intracraniana e suas conseqüências não é totalmente compreendido.
Uma consideração importante é que os pacientes podem ter uma vida
longa e saudável mesmo após um evento hemorrágico. Se acaso
aparecerem sintomas repentinos não hesite em realizar uma RNM e
procurar auxílio de neurocirurgião com experiência no manejo com
MCCs. Neste contexto, ignorância não é vantagem!
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