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Informações sobre Angioma

O que é um Angioma Cavernoso

Angiomas cavernosos são ninhos de veias anormais encontrados no cérebro, medula espinhal, e, raramente, em outras áreas do corpo. Há muitos nomes para esta condição:

    * cavernoso
    * hemangioma cavernoso
    * malformação cavernosa cerebral (CCM, em inglês)
    * cavernoma

Um angioma cavernoso típico parece, de certa forma, com uma framboesa, mas o tamanho pode variar desde macroscópico até alguns centímetros. É composto de múltiplas pequenas bolhas (cavernas) de vários tamanhos, cheias de sangue e compostas por uma camada especial de células (endotélio). Essas células são semelhantes àquelas dos vasos sangüíneos normais, mas a estrutura de “bolha” de um angioma cavernoso é frágil, passível de vazamentos e não dispõe das outras camadas encontráveis na parede de um vaso sangüíneo normal. Um angioma cavernoso pode causar convulsões, sintomas de derrame, hemorragias e dores de cabeça.

Estima-se que os angiomas cavernosos ocorram em aproximadamente 0.5-1% da população, ou em 1 a cada 100-200 indivíduos. Nos Estados Unidos, por exemplo, isto significa que até 3 milhões de pessoas têm pelo menos um angioma cavernoso. A maioria começa a ter sintomas na faixa dos 20 ou 30 anos de idade. Angiomas cavernosos podem se formar mais tarde e, portanto, a taxa de incidência e número de angiomas por pessoa são mais freqüentes dentre os adultos. Geralmente, mais do que 30% dos pacientes com angioma cavernoso desenvolvem sintomas em algum ponto da vida

Angiomas Cavernosos Múltiplos

Quando alguém tem mais do que um angioma, a condição é chamada de angiomas cavernosos múltiplos. Se presentes no cérebro ou na medula espinhal, podem ser hereditários. As pesquisas indicam que são mais comuns em familhas de origem hispânica (latina). Filhos de pacientes de cavernomas hereditários tem uma chance de 50% de herdar a doença. Pesquisas atuais indicam que pelo menos três genes são responsáveis pela forma hereditária. Uma mutação em qualquer um desses genes pode dar causa à doença

Angioma Cavernoso Isolado

Um angioma cavernoso isolado pode estar presente no nascimento ou pode se desenvolver depois. Se nenhum outro familiar tiver a mesma condição, geralmente é considerado não-hereditário e aleatório (esporádico). Isto quer dizer que filhos de pacientes com angioma cavernoso esporádico podem não ter maiores chances de ter angiomas cavernosos do que qualquer um.

Angioma Venoso Associado

Até 40% dos angiomas cavernosos solitários podem se desenvolver nas proximidades de outra anormalidade vascular chamada angioma venoso. Angiomas venosos, também conhecidos como malformações venosas ou anomalias venosas desenvolvimentais, geralmente não causam problemas a não ser que estejam associadas a um angioma cavernoso. Pode tornar a cirurgia mais difícil (o objetivo é não perturbar o angioma venoso quando da remoção do angioma cavernoso).

Outras Malformações Vasculares

Angiomas cavernosos são parte de uma gama de lesões chamadas “malformações vasculares angiograficamente ocultas” (angiographically occult vascular malformations, no original, em inglês), eis que não são visíveis através de angiografia cerebral. Angiomas cavernosos não podem ser vistos através desse tipo de exame porque o fluxo sangüíneo neles é muito baixo. Em outras palavras, o sangue circula pela lesão vagarosamente. Esta característica faz dos angiomas cavernosos diferentes de malformações arteriovenosas que são lesões de alta circulação sangüínea, visíveis através de angiograma.

Sintomas

Um angioma cavernoso pode não ter sintomas. Quando presentes, os sintomas dependem freqüentemente da localização do angioma e da força de suas paredes. Angiomas cavernosos podem causar convulsões e diz-se que uma pessoa que tenha convulsões é epilética. Existem vários tipos de convulsão, desde crises de ausência leve até crises tônico-clônicas generalizadas. Na maior parte dos casos de epilepsia, o tratamento é feito com eficácia por medicamentos. O tipo de convulsão que um paciente tenha depende, em parte, da localização do angioma cavernoso. Se uma pessoa tem epilepsia e mais do que um angioma cavernoso, pode ser difícil identificar qual lesão é a causa das convulsões.

Angiomas cavernosos podem causar déficits neurológicos tais como fraqueza nos braços ou pernas, problemas de visão, problemas de equilíbrio, ou problemas de memória ou atenção. Assim como nas convulsões, o tipo de déficit está relacionado com a parte do cérebro ou da medula espinhal que o angioma cavernoso afetar. Sintomas vão e voltam conforme a lesão altere de tamanho em virtude de sangramento e reabsorção de sangue.

Angiomas podem sangrar de diversas formas:

    * Angiomas podem sangrar lentamente dentro das paredes do angioma e permanecer bem pequenos. Uma pequena hemorragia pode não necessitar de tratamento cirúrgico, pois pode ser reabsorvida pelo corpo. Entretanto, hemorragias pequenas contínuas na mesma lesão freqüentemente causam uma deterioração da função.

    * Angiomas podem sangrar mais abundantemente dentro das paredes do angioma. Isto pode fazer com que os angiomas cresçam e pressionem o tecido cerebral em volta.

    * Finalmente, angiomas podem sangrar através de um ponto fraco na parede do angioma atingindo o tecido cerebral em volta. Isto é chamado hemorragia evidente.

O risco de hemorragia depende do número de angiomas. Quanto maior o número, maior a chance de uma ou mais hemorragias ocorrerem durante a vida do paciente. Infelizmente, angiomas cavernosos que sangram são aqueles mais propensos a sangrar novamente, principalmente nos primeiros dois anos após o primeiro sangramento. É importante notar que uma hemorragia num angioma cavernoso no tronco cerebral pode causar a morte.

Por fim, aqueles com angiomas cavernosos podem ter dores de cabeça. Isto parece ocorrer principalmente logo depois que uma lesão sangra.

Estatísticas de Angiomas Cavernosos

1 em 100 a 200 pessoas tem pelo menos um angioma cavernoso.

50 a 70% dos pacientes desenvolvem os sintomas em algun ponto da vida

10 a 20% dos pacientes têm múltiplas lesões

Idade do primeiro diagnóstico:

Até 20 25-30%.

20-40 60%.

Mais de 40 10-15%.

Sintoma principl:

Convulsão – 30%
Déficit – 25%
Hemorragia – 15%
Dor de cabeça – 5%

Possibilidade do seu filho ter um angioma cavernoso:

Se você tiver um angioma cavernoso isolado, seu filho terá uma chance de 1 em 200 (0.5%).

Se você tiver a forma hereditária, a chance é de 50%

Diagnóstico e Tratamento

Angiomas cavernosos são geralmente diagnosticados quando se tornam sintomáticos. Embora angiomas sejam conhecidos desde a década de 30 do século vinte, eles não foram seguramente diagnosticados até a invenção da ressonância magnética nos anos 80. No passado, a doença pode ter sido diagnosticada como esclerose múltipla ou desordem convulsiva sem causas conhecidas, pois os angiomas cavernosos não eram visíveis através da realização de angiogramas, tampouco nitidamente visíveis através de tomografias computadorizadas. Ressonâncias magnéticas, com e sem contraste e com reverberações progressivas ou regressivas seqüenciais, analisadas por um médico experiente têm sido o melhor meio de diagnosticar a doença. A ressonância magnética pode ter de ser feita repetidamente para que se observem mudanças no tamanho de um angioma cavernoso, sangramento recente ou aparecimento de novas lesões.

A maior parte dos angiomas cavernosos são observados para identificar mudanças na aparência, hemorragia recente ou sintomas clínicos. Existem medicamentos para controlar as convulsões e as dores de cabeça provocadas por angiomas cavernosos. Cirurgia é indicada para angiomas cavernosos em que a hemorragia for recente, bem como aqueles que estejam em expansão e, em alguns casos, aqueles que estejam causando convulsões. Rádio-cirurgia, por gamma knife, acelerador linear ou com novos alicerces técnicos definidos, estandardizados, é um tratamento controverso que tem sido utilizado em angiomas cavernosos de difícil acesso pela cirurgia tradicional

Cirurgia

Angiomas cavernosos são removidos cirurgicamente por craniotomia (abertura do crânio). Geralmente isto é feito sob o efeito de anestesia geral, exceto nos casos em que o mapeamento do cérebro, enquanto o paciente está acordado, é necessário. Angiomas cavernosos na medula espinhal são removidos utilizando-se laminectomia, ou “destelhamento”, da vértebra.

Cirurgia para angiomas cavernosos é mais segura através da utilização de microscópios (microcirurgia) e navegação cirúrgica com imagens dirigidas (também conhecida como estereotaxia apoiada por computador ou estereotaxia sem moldura) para atingir a lesão com a mínima intervenção nas atividades cerebrais ou da medula espinhal, dentro do possível.

Riscos de qualquer cirurgia, inclusive de angioma cavernosos, compreendem derrame, paralisia, coma ou morte, embora essas complicações sejam raras nas cirurgias modernas executadas por neurocirurgiões experientes. Cirurgias de angiomas cavernosos no tronco cerebral e medula espinhal são mais arriscadas, mas estes angiomas cavernosos são mais perigosos se não operados. A maior parte dos pacientes deixa o hospital dentro de alguns dias e voltam às suas vidas normais em poucas semanas depois da cirurgia. No entanto, pacientes com déficits neurológicos podem precisar de um período prolongado de re-habilitação.

O Que Não Sabemos Sobre Angiomas Cavernosos

Enquanto pesquisadores continuam a descobrir fatos novos sobre angiomas cavernosos todos os dias, muitas questões de pesquisas importantes permanecem sem resposta.

Pesquisadores de genética e um número crescente de outros pesquisadores trabalham para determinar a causa da doença e os mecanismos pelos quais os vasos sangüíneos defeituosos são formados.

Não sabemos os fatores que levam ao sangramento (e novo sangramento) de um angioma. Como não sabemos as causas do sangramento de um angioma cavernoso qualquer, não sabemos como reduzir o risco.

Não sabemos como remover um angioma cavernoso sem cirurgia no cérebro. Métodos de remoção menos invasivos poderiam permitir tratamento de mais lesões antes que elas se tornem problemáticas.

Este site não substitui aconselhamento médico profissional. O objetivo é meramente informativo.